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May 30, 2024

Do cachorro-quente

4 de julho: momento de reunir-se, de ver fogos de artifício animando um céu escuro, de celebrar o país em toda a sua complexidade. Ou uma noite em que você se agacha tentando acalmar animais de estimação ansiosos, assiste a um filme para abafar as festividades e permanece firme em sua crença de que os Estados Unidos não merecem realmente todo o alarde. Este ano, enquanto os americanos tentam estabelecer uma nova normalidade – na sequência da vida pandémica e dos protestos de todos os extremos do espectro político tenso – a CULTURED pediu a fotógrafos de todo o país que captassem uma fotografia do feriado.

Poupay JutaratNova Iorque, Nova Iorque

CULTURADO: Qual é a sua primeira lembrança do feriado?

Jutarat: Fui ver os fogos de artifício no ano passado. Foi lindo, com o cheiro de grama, o som de conversas e risadas, os aplausos quando os primeiros fogos de artifício foram disparados e o brilho nos olhos de todos quando a multidão testemunhou um momento deslumbrante de céu brilhante juntos.

CULTURED: Como seu relacionamento com os Estados Unidos impacta a maneira como você captura o ambiente e os assuntos ao seu redor?

Jutarat: Eu me diverti muito morando aqui [depois de me mudar da Tailândia]. Gosto de toda a loucura da rua e sou grato por todas as oportunidades que tive aqui. Olhando para os meus arquivos, posso ver que a diversão e a vivacidade das minhas fotografias vêm desse sentimento de alegria.

CULTURADO: Conte-nos onde e como você tirou essas fotos.

Jutarat: Fui a Coney Island fotografar o Concurso de Comer Cachorro-Quente do Nathan pela manhã. Havia muitas coisas divertidas acontecendo, então fui lá para ver como as pessoas participavam. Depois fui ao Gantry Plaza State Park à noite para ver fogos de artifício. Estava lotado como sempre. Os fogos de artifício foram extremamente bonitos, como esperado.

Jessé ClarkLakeland, Flórida

CULTURADO: Que sentimentos o 4 de julho evoca em você?

Clark: Para um jovem negro que cresceu nos Estados Unidos, o 4 de julho traz à tona um sentimento conflitante em torno da celebração. Quando eu era mais jovem, tinha um senso de patriotismo mais cego, mas à medida que envelheço penso em minha posição em tudo isso. É um feriado onde nos reunimos para celebrar o nascimento desta nação e o progresso que ela tem feito todos os anos, mas com isso reconheço quanto trabalho em prol da unidade também está sendo desfeito politicamente nos últimos anos.

CULTURADO: Qual é a sua primeira lembrança do feriado?

Clark: Ver meu pai atirar fogos de artifício no quintal. Isso passou de uma experiência assustadora e barulhenta para um Jesse muito jovem, que não entendia muito bem o que estava acontecendo, para o que se tornou um belo espetáculo à medida que fui crescendo. A família atirar fogos de artifício é uma tradição que não conseguimos acompanhar nos últimos anos, mas ainda gosto de ver a cidade iluminada com fogos de artifício nesta época do ano.

CULTURADO: Como sua relação com os Estados Unidos impacta seu trabalho?

Clark: Vejo os EUA como uma terra que me proporcionou uma nova oportunidade de vida. Fui trazido de um orfanato no Haiti para cá, por isso reconheço o privilégio dos recursos que tenho aqui para poder viver e me expressar. Tendo em conta o que os EUA me proporcionaram, compreendo que tenho muito a retribuir, especialmente pertencendo a uma geração mais jovem. Com isso em mente, vejo a câmera como uma ferramenta que me permite capturar a beleza da minha identidade, da comunidade envolvente e da cultura. Sinto que há muitas histórias e pessoas que posso documentar e destacar a existência, para ajudar a mover a América em direção a uma mudança positiva e à unidade.

CULTURADO: Onde estão essas fotos?

Clark: Tirei esses retratos em minha cidade natal, Lakeland. Conversei com alguns amigos próximos sobre o que é o patriotismo hoje e como isso pode diferir entre as pessoas. Estávamos refletindo sobre o que a bandeira americana simboliza e o que significa usá-la, especialmente porque a sua conotação mudou ao longo dos anos ou apenas nas últimas semanas. Com muitas das mudanças políticas acontecendo, este 4 de julho levanta a questão: O que significa ser um menino negro na América?

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